terça-feira, 29 de março de 2016

EXPOSIÇÃO CIDADES 

ZÈCÉSAR

PLUS GALERIA

12 DE MARÇO A 16 DE ABRIL DE 2016-03-25
Rua 114, n. 70, Setor Sul, Goiânia/Goiás/Brasil

A exposição está distribuída em três salas.
Na primeira estão 'cidades montadas dentro de caixinhas'... 
não é um trabalho novo dentro da série Metrópolis, as caixas já apareceram na primeira exposição. Desde o início da série foram realizadas algumas, e foram recentemente retomadas – se é que se pode dizer que alguma vez foram abandonadas – com um sentido lúdico e, talvez, com alguma diferenciação em sua execução.
Cidades encaixotadas. De certa forma a expressão remete ao crescimento desordenado das cidades, das metrópoles superpovoadas, da qualidade de vida da cidade grande, das favelas ou de bairros repletos de edifícios sem espaço adequado de circulação.
São recortadas e coladas como um quebra cabeça, formas como de portas, janelas, prédios e casas, dentro de caixas de tamanhos ou formatos diversos (não maiores que cinqüenta centímetros) – caixas encontradas, embalagens de diversos materiais.









A segunda sala é composta de trabalhos feitos em caixas de computadores 
 – portanto, trabalhos tridimensionais - de tamanhos em torno de trinta por quarenta por quinze centímetros (altura, comprimento e largura).

Foram ‘gravadas’ nessas caixas portas e janelas baseadas 
nas janelas fotografadas na Cidade de Goiás, antiga capital do Estado, de forma que remetessem a seus casarios coloniais – sem, claro, qualquer pretensão de ‘reprodução’ fiel da realidade.

Cada caixinha é uma casa. 
O que significa que se poderia até pensar em uma proposta de montagem que simulasse uma cidade. Mas não necessariamente. São quatorzes caixas-casas.






A última sala se compõe de oito litografias a a seco, processo que tenho investigado desde  início do ano de 2014. É um procedimento desenvolvido pelo canadense Nick Semenoff, muito utilizado por Raul Cabello, professor na Universidad Nacional Autónoma de México, onde aprendi os rudimentos que me permitiu explorá-lo no ateliê da Faculdade de Artes Visuais da UFG.
A litografia a seco consiste na realização de um processo litográfico em uma chapa de ofsete, em que não se utiliza água como no processo tradicional em pedra. Aplica-se sobre a chapa desenhada uma camada fina de silicone. O silicone é que repele a tinta, permitindo que somente a imagem seja entintada.
Em geral as matrizes foram realizadas com mais de uma técnica combinadas. Mas, me vali da experimentação de transferência de fotocópias de fotografias feitas por mim ou de folhetos de propagandas imobiliárias, complementadas com lápis 6B, caneta bic, tonner e goma arábica. Fiz também algumas experiências com desenho com ponta seca e mini retífica sobre a chapa coberta com silicone. 

Realizei ainda algumas impressões com duas chapas de desenhos diferentes sobrepostas, em geral uma imagem de árvores sobre imagens de edifícios, ou vice versa, como uma forma de fazer um contraponto entre a aridez da cidade e a natureza.
 (matriz)







quarta-feira, 9 de março de 2016


No próximo sábado - 12.03.2016 - estarei inaugurando uma nova exposição individual na 'Plus Galeria', em Goiânia - Goiás - Brasil.
Brevemente postarei fotografias dos trabalhos e do evento de abertura.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Uma boa notícia: Goiânia ganha um novo espaço para a arte:
R3 Gabinete de Arte 
sob a direção de Cleandro Jorge, Divino Sobral e Guilherme Wohlgemuth
que foi inaugurado ontem com a participação de 21 artistas contemporâneos
(entre eles, eu).
Ótima notícia. Goiânia anda um pouco carente de bons espaços. Longa vida ao R3 (ou R ao Cubo !?)

"O R³ Gabinete de Arte abre seu espaço (...), apresentando obras dos 21 artistas integrantes de seu elenco. Depois de alguns anos de aspirações, após alguns meses de intenso trabalho que nos exigiu muita dedicação e amor, finalmente podemos receber o público para uma viagem à arte contemporânea produzida em Goiás. Sejam bem vindos!" (texto dos coordenadores do espaço)



terça-feira, 15 de setembro de 2015



O Ateliê Livre de Gravura da FAV/UFG foi convidade pela Faculdade de Educação da UFG a participar
no XXII Simpósio da Faculdade de Educação com uma mostra de gravuras.
A exposição está aberta para visitação na Faculdade de Educação, Praça Universitária
de 14 a 18 de setembro de 2015, das 8 às 22 h.


terça-feira, 8 de setembro de 2015

Participação na exposição O Papel do Museu





Estou participando da exposição 'O Papel do Museu' 
no Museu Nacional do Conjunto Cultural da República, em Brasília, 
 junto, honrosamente, com grandes nomes da gravura brasileira como Iberê Camargo, Portinari, Antônio Bandeira, Volpi, Fayga Ostrower, Lívio Abramo, Lothar Charoux, Franz Krajcberg, 
Nelson Leiner, Amilcar de Castro, Ana Letycia, Evandro Carlos Jardim, Carlos Martins, 
Regina Silveira, entre outros mais contemporâneos como minha amiga e colega Selma Parreira, Regina Vater e Cildo Meireles.
Os trabalhos abaixo - oito gravuras e um trabalho em papelão - passam a integrar o acervo do Museu.


Da série Metrópolis
Técnica: Gravura em paviflex
Tiragem:3/4
Data: 2014
Dimensões da imagem: 36 x 30 cm
Dimensões do papel: 56 x 38 cm



Da série Metrópolis
Técnica: Gravura em paviflex
Tiragem:  1/2
Data: 2014
Dimensões da imagem: 14 x 47 cm
Dimensões do papel: 38 x 55,5 cm 


Da série Metrópolis
Técnica: Gravura em gesso
Tiragem: 3/6
Data: 2014
Dimensões da imagem: 31 x 37 cm

Dimensões do papel:  40 x 47 cm
Da série Metrópolis
Gravura em gesso
Tiragem: 1/5
Data: 2013
Dimensões da imagem: 35 x 59 cm
Dimensões do papel:  45 x 70 cm


Da série Metrópolis
Técnica: Litografia a seco
Tiragem: 3/8
Data: 2015
Dimensões da imagem: 37 x 50 cm
Dimensões do papel: 49 x 54 cm

      Da série Metrópolis
Técnica: Litografia a seco
Tiragem: 7/9
Data: 2015
Dimensões da imagem: 47 x 36 cm
Dimensões do papel: 55 x 45 cm



Da série Metrópolis
Técnica: Litografia a seco
Tiragem: 5/12
Data: 2014
Dimensões da imagem: 45 x 35 cm

Dimensões do papel: 63 x 49 cm
Da série Metrópolis
Técnica: Litografia a seco
Tiragem: 2/7
Data: 2015
Dimensões da imagem: 47 x 36 cm
Dimensões do papel:55 x 45 cm]


Da série Metrópolis
Técnica: Incisões, recortes e colagem em papelão.
Data: 2011
Dimensões: 215 x 150 cm 

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Meus experimentos em gravura - 2013/2015

MEUS EXPERIMENTOS EM GRAVURA - 2013/2015
Não procuro a perfeição, procuro a beleza. Mesmo porque a perfeição não existe. A beleza eu escolho. A beleza pode ser encontrada acidentalmente, a beleza se descobre, se desvenda.

INTRODUÇÃO
            Esse texto é um relato de algumas de minhas últimas experiências em gravura, entre os anos de 2013 e 2014, em diversos suportes.
'Gravura é toda marca deixada em uma superfície qualquer impressa em um papel (ou outro suporte)'. Partindo desse princípio qualquer superfície em que se possa deixar (ou encontrar) uma marca, seja uma linha traçada com um buril ou uma goiva, ou um arranhão, um rastro de pincel, ou uma marca que ali já existia antes, como estragos, desgastes, restos de cola ou tinta, que se possa entintar (com rolo, pincel, espátula ou tampão, etc.) e que se possa imprimir (manualmente ou através de uma prensa) em um papel (ou outro suporte), pode-se transformar em gravura.
Assim, encontro distintos materiais para fazer uma gravura. Procuro neles o que eles podem me oferecer. Desde sua textura – natural ou artificial – à sua maciez ou dureza para incisões.
Busco as possibilidades de trabalho que me permitem. Alguns facilitam os trabalhos de incisões com goivas, formões, pontas, buris e berçôs, permitindo o traçado de linhas ou de confecção de texturas. Outros possibilitam a realização de manchas através do uso de corrosão com solventes ou com calor, ou, ainda, a adição, com colagens ousoldas.
Busco a expressividade que possam me apresentar: negros intensos, linhas expressivas, texturas delicadas, manchas espontâneas ou variedade de tonalidades. Ou mesmo a possibilidade de realização de um trabalho gestual, traços ou pinceladas livres, espontâneas, ou, por outro lado, maior precisão, linhas rígidas, definidas, traços com réguas. Em suma, aquelas possibilidades expressivas que o material – a matriz e os meios – podem proporcionar.
Os últimos experimentos, em que pude me debruçar por algum tempo, realizados nesses últimos dois anos foram (1) matrizes confeccionadas com verniz acrílico transparente com pigmentos ou carborundum em papelão paraná ou Duratex e; (2) matrizes de blocos de gesso; (3) matrizes de paviflex; (4)e a litografia a seco. Experimentos díspares, resultados muito distintos, muitas possibilidades.

I.                    GRAVURA EM MATRIZES COM VERNIZ ACRÍLICO TRANSPARENTE

Para esses experimentos utilizamos como matrizes folhas de papelão paraná ou placas de Duratex recobertas com um verniz acrílico transparente (Complemento acrílico Suvinil – tinta utilizada comercialmente para pintura de concreto aparente) e pigmento em pó (comercialmente conhecido como ‘pó xadrez’). A função do pigmento seria apenas dar mais consistência à tinta e tornar mais visível a imagem. O verniz é aplicado sobre a matriz com pincéis embebidos em verniz e mesclado com o pigmento, como um trabalho de pintura em tela, criando uma imagem ou formas sobre o papel ou duratex. As matrizes de Duratex foram também posteriormente trabalhadas com incisões, entalhadas, como na xilogravura
A intenção primeira dessa experiência seria a obtenção de um resultado mais pictórico, isto é, que se percebessem na gravura impressa os rastros do pincel – podemos adiantar que isso só foi parcialmente atingido. A imagem obtida não se assemelha propriamente a uma pincelada de pintura, mas produz uma textura interessante, diferenciada, que pode muito bem contribuir no resultado final da gravura.
Algumas vezes foi utilizado, além do pigmento, carborundo em pó, mesclado com o verniz acrílico, com o objetivo de acentuar mais a aparência da pincelada. O carborundum produz uma textura acentuada o que resulta mais claro na impressão em relevo (o relevo proporcionado pelo carborundum não permite que o rolinho de entintagem penetre na textura) e mais escuro na impressão em côncavo (porque a textura acentuada do carborundum retém mais tinta).A impressão em côncavo dá um resultado mais parecido com a água tinta e à gravura ao carborundum – a tinta penetra mais, a textura é mais compacta.Ambos os resultados são muito interessantes, na verdade pose-se dizer que uma mesma matriz proporciona duas gravuras distintas.
As matrizes foram impressas tanto em côncavo quanto em relevo, com resultados, obviamente, distintos, assim como em oco-relevo, simultaneamente.
Gravura 01 (matriz 1 - com verniz/pigmento sobre papel paraná) – impressão calcográfica
Gravura 02 (matriz 2 com verniz/pigmento/carborundum e incisões sobre Duratex) – impressão em relevo
Gravura 03 (matriz 2 – a mesma anterior) – impressão em oco
Gravura 05 (matriz 2) – impressão a cores, em oco e relevo (preto e amarelo, respectivamente).
Gravura 04 (matriz 2) – impressão a cores, em oco e relevo (o inverso da impressão anterior, em laranja e preto, respectivamente).

Em alguns experimentos somente foi aplicado o verniz puro (sem pigmentos) em papel pinho ou paraná. O papel é pintado a pincel com verniz acrílico, sem preocupação de evitar rastros ou marcas de pincel. O desenho é realizado com ponta seca sobre a matriz assim envernizada. A ponta arranha a tinta sem produzir nenhuma rebarba, gerando, portanto, uma linha bem definida. É necessário esperar secar totalmente, pois ao traçar linhas com o verniz ainda úmido a ponta ‘esgarça’ o papel e na impressão as linhas traçadas ficam borradas.
As linhasobtidas são bem definidas, similares às linhas de água forte, boa qualidade de impressão e resistência à tiragem. As marcas das pinceladas aparecem muito suavemente, não parecendo propriamente uma pincelada. O verniz não deixa a superfície perfeitamente lisa, não proporcionando muito branco, as áreas brancas aparecem irregularmente cinzas, mas, em compensação o branco que surge é muito luminoso.
Pode-se deixar áreas sem envernizar, ou proteger com fita crepe. Essas áreas que não recebem verniz produzem manchas escuras, semelhantes a uma água tinta meio irregular.

Matriz 6. (detalhe)
Gravura 17 (matriz 6). Impressão em oco
II.        GRAVURA EM MATRIZ DE GESSO.

A gravura em gesso é uma gravura em relevo, assim como a xilogravura e a gravura em linóleo. A particularidade do gesso é que sua superfície é extremamente branda e, portanto, permite um corte suave e fácil. Pode ser trabalhado com inúmeras ferramentas, como as da xilogravura de fio – formões e goivas – assim como com ponta seca, buril, buris raiados, estiletes, quaisquer materiais que podem ferir ou arranhar sua superfície macia, como pregos, lixas, palhas de aço (Bombril) pedra pomes, etc.
Outra particularidade é que como, obviamente, é frágil, não pode ser impressa na prensa, porque se quebraria. Sua impressão tem que ser feita manualmente com um barém, e, preferencialmente um papel fino ou suave, como o papel arroz. O uso da colher não é recomendável, pois desgasta as bordas de algumas incisões, danificando a imagem, não permitindo uma tiragem uniforme.
Como pode se quebrar com facilidade exige cuidado extremado no seu manuseio, deve estar sempre bem apoiada sobre uma mesa, e não se pode colocar pesos ou apoiar sobre a matriz porque pode se romper, facilmente.
Tem características muito interessantes para a gravura. Permite linhas muito finas quando utilizadas ferramentas afiladas, como ponta seca ou buril, dá texturas muito interessantes com o buril raiado e mesmo com roletas e berçô.  As áreas não trabalhadas proporcionam negros intensos, chapados. Pode-se, porém, matizá-los friccionando com uma pedra pomes ou com lixas ou palha de aço, etc.
A gravura obtida com a matriz de gesso tem semelhanças com o linóleo, com algumas características próprias que não a distingue substancialmente, a vantagem é a facilidade de gravação por sua maciez e a desvantagem é o extremo cuidado que exige por sua fragilidade. Mas possibilita uma gravura muito delicada, sutil, requintada.
Nesses experimentos foram utilizados blocos de gesso confeccionados industrialmente para forros de residência. Poderíamos confeccionar nossa própria matriz, numa forma, com uma mistura de gesso em pó, cola branca (para maior resitência) e água.
 Gravura 18(matriz em gesso trabalhada com diversas ferramentas. 2013) Impressão em relevo com barém em papel arroz.
Gravura 22. (Matriz de gesso, trabalhada com ferramentas diversas – 2013). Dupla impressão, lado a lado, com barém, em papel arroz.Aproximadamente 35 x 40 cm.

III. GRAVURA EM PAVIFLEX.
          Experimentamos, ainda, diversos materiais como matrizes para gravura, materiais ocasional-mente encontrados, tais como Paviflex, compensado, papelão, entre outros.
           Exploramos mais esse último, trabalhamos com uma placa de Paviflex de 30 x 30 cm, material comercial fabricado para assoalho, piso. É muito semelhante ao linóleo, pode ser entalhado com as ferramentas de xilogravura, assim como com ponta seca e buril e, ainda, lixas, roletas, buris raiados, berçôs, etc. O material quase não fornece resistência ao corte, permitindo linhas muito precisas e traçados com ferramentas mais delicadas como o buril e os buris raiados. E, ainda, pode ser cortado, ou recortado em formas irregulares, facilmente, com um estilete.
Por outro lado, não é flexível como o linóleo, é quebradiço, podendo se romper facilmente se for dobrado, o melhor é colá-lo sobre uma folha de papel cartaz ou paraná, para facilitar seu manuseio.
A impressão se faz comumente, como na xilogravura ou linóleo, mas permite também a impressão em oco, como a gravura em metal. Sua espessura é em torno de um milímetro, colado ao papelão, chega a mais ou menos dois, o que permite sua impressão também em côncavo. O resultado é muito gratificante, as linhas se apresentam bem definidas, muito nítidas, as superfícies lisas, brancas, na impressão calcográfica e negras na impressão em relevo.
A matriz a seguir foi gravada com ferramentas diversas, tais como buril, goivas, buril raiado, ponta seca, roleta e berçô.

Matriz de Paviflex. Impressão calcográfica em papel Guarro Super Alfa. 30 x 30 cm.


Fizemos uma tiragem diversificada dessa matriz, ‘em relevo’, em diversas cores, sobre um fundo chapado também impresso em diferentes cores.

Posteriormente essa mesma matriz foi recortada – pode ser facilmente cortada com um estilete - e impressa de distintas maneiras, como uma monotipia.

A parte inferior da matriz impressa diversas vezes com deslocamentos e sobreposições.


IV. LITOGRAFIA A SECO
A litografia a seco consiste na realização de um processo litográfico em uma chapa de ofsete granitada, em que não se utiliza água como no processo tradicional em pedra. Aplica-se sobre a chapa desenhada uma camada fina de silicone. O silicone é que repele a tinta, permitindo que somente a imagem seja entintada. A chapa pode ser desenhada com lápis 6B ou aquarela, caneta Bic, tonner, goma arábica e permite também a transferência de fotocópias ou fotografias. Esses procedimentos podem ser realizados isoladamente ou combinados.
Seu criador é o artista canadense Nick Semenoff. Conheci o processo através do litógrafo mexicano Raul Cabello, professor na Escola Nacional de Artes Plásticas da Universidade Nacional Autónoma de México, que a pesquisou durante muitos anos, em contato com Semenoff. E também seu filho Constantino Cabello, na UNAM, e o jovem artista Xilberto L. Núñez do ateliê El Nido da cidade de Toluca, cujos ateliês eu freqüentei.
Usa-se as costas de chapas de ofsete usadas – é necessária que ela tenha uma superfície granulada semelhante à pedra litográfica, pode-se obter isso com uma aplicação de jato de areia.
Após a chapa desenhada, aplica-se uma camada fina de silicone sobre o desenho.
Utiliza-se um silicone comercial usado para vedação de canos de encanamento doméstico, que não permite ser pintado (deve constar essa informação na embalagem). Após algumas tentativas, optamos pelo da marca Tekved transparente. Posteriormente a chapa é lavada com água aquecida (no caso do lápis) ou com thinner, com os outros materiais de desenho.O entintamento se faz normalmente, como na lito tradicional, sem precisar umedecer a chapa.
Pode-se imprimir na prensa litográfica, mas, resulta mais prático na prensa de xilo ou metal, substituindo o feltro por uma ou duas folhas de um papel grosso tipo pinho ou Paraná.
O desenho com lápis 6B (ou lápis aquarela; permite também o uso de esfuminhos) dá um resultado muito semelhante ao crayon litográfico. Reproduz com muita precisão os valores tonais do desenho, isto é, linhas fortes ou linhas mais suaves – mesmo aquelas muito suaves, muito pouco visíveis no momento do desenho. O desenho com caneta Bic proporciona muita semelhança com a água forte, o thonner, por sua vez se assemelha ao trabalho com tusche, ou a aguada de nanquim.A caneta marcador permanente dá uma linha muito negra, definida, assim como a goma arábica, que proporciona pinceladas ou áreas de um negro intenso.A transferência de fotografia (em preto e branco, em impressora de tonner) ou fotocópia permite bastante fidelidade ao original.
            A litografia a seco com silicone, não permite apagar, fazer correções. As raspagens arranham a chapa e produzem negros. Ciente dessa informação, de que um arranhão sobre o silicone produziria um negro, fiz algumas experiências com desenho com ponta seca ou mini retífica sobre a chapa siliconada. O resultado – a impressão litográfica – é uma qualidade de linha muito fina, muito bem definida, muito limpa, semelhante a um trabalho a buril sobre a gravura em metal.
Litografia a seco trabalhada com tonner, caneta bic, marcador permanente e lápis 6B

Litografia a seco 2014 - ponta seca sobre silicone em chapa de alumínio. Impressão litográfica em preto em papel cansón ‘fine face’. 30 x 40 cm.


Bibliografia.
CHIARELLI, Tadeu. Arte Internacional brasileira. São Paulo, Lemos Editorial, 1999.
CLÍMACO, JCTS. De gravuras e cidades. Goiânia, Editora da UFG, 2010.
FRANCO, Edgar (Org.). Desenredos: Poéticas visuais e processos de criação. Goiânia:UFG/FAV/ FUNAPE, 2010.

MORO, J.M. Un ensayo sobre grabado a finales del siglo XX. Creatica Ediciones, 1998
VV.AA. Arte Brasileira do século XXItaú Cultural, 2000.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Vai pra Cuba!...

VAI PRA CUBA!...

A esse bordão, que se ouviu muito, dirigido aos eleitores e simpatizantes das realizações do governo brasileiro, eu acrescentaria: Você também! Porque vale a pena conhecer, eu estive em Havana para fazer uma exposição e me apaixonei.
O povo cubano é simpaticíssimo! Parece com o brasileiro, são muito atenciosos, alegres, comunicativos e musicais. E gostam muito dos brasileiros e da música brasileira.

O Centro da cidade se parece muito com Salvador, os casarios antigos, sobrados, dois ou três andares, lembra muito o Pelourinho... A maior parte precisa de uma boa restauração, muitos já estão restaurados, é verdade, mas muito pouco ainda.

Vista da cidade do alto de um hotel.


“reflexos”


Mesmo edifício anterior – arredondado e todo de espelhos que refletem o entorno – sob diferentes ângulos.




O país é pobre. Tem-se a impressão que se compõe de somente uma classe social – uma classe média, com uma qualidade de vida similar à nossa classe média baixa (uma classificação muito pouco científica, mas...). Mas, ninguém passa fome, não existe miséria. O povo compra com uma moeda local – o peso cubano – tem lojas específicas para eles, assim como restaurantes onde pagam muito barato. Enquanto o turista paga com uma outra moeda – o CUC, que vale quase um dólar. Um turista de classe média brasileira pode curtir muito bem em Cuba.



Tiveram um período dificílimo quando perderam o apoio da União Soviética. Quando se abriram para o turismo – hoje uma de suas maiores fontes de renda – deram uma melhorada. Há insatisfação, principalmente por parte da juventude que não vê muita perspectiva no estudo, na universidade... trabalhar num hotel dá uma melhor renda porque possibilita gorjeta em dólar dos turistas. Mas o cubano tem‘consciência de povo’ – de sua história, de sua ‘cubanidade’... Esperemos para ver que mudanças virão com a aproximação com “os irmãos do norte”.


Callejón de Hamel - onde ocorrem manifestações culturais/religiosas de origem negra/africana – muito semelhantes ao nosso Candomblé brasileiro. Tem bar, galeria, arte, movimentação turística e até um ateliê de gravura.



Os carros antigos, décadas de 50/60, circulam livremente pela cidade. São uma marca registrada, muitos, muito bem conservados, parecem novos. Os mecânicos devem ser verdadeiros artistas, pois têm que reconstituir – ou criar – peças que já não existem mais.






Museu da Revolução
Fica no antigo palácio de governo na época do ditador deposto, Fulgêncio Batista. Conta toda a história da tomada do poder – assim como tentativas anteriores, quando muitos foram presos ou assassinados.


Os hotéis de luxo que existem hoje em Havana eram os cassinos – luxuosos, imensos – freqüentados pelos milionários americanos que iam à ‘ilha’ para jogar e em busca de prostituição... Sua ostensividade dá para entender o porquê da revolução: “Cuba era o quintal, ou melhor, o bordel dos EUA.”


Imagem de Che Guevara na Praça da Revolução, um dos um dos ícones do Movimento, cultuado pelo povo juntamente com Camilo Cienfuegos.



“Puertas, janelas, ventanas...



...y balcões”




Visão noturna

(Pode-se andar pelas ruas de Havana, em qualquer lugar, a qualquer hora do dia ou da noite, com toda segurança)









Y, además, hay buenas cervezas, el famoso ‘Ron’ (que nós chamamos Rum) y los ‘puros’ – para quem gosta, os famosos, em todo o mundo, charutos cubanos.